Três pontos para Carlos Agostinho do Rosário no seu regresso a “Casa”.

Manuel de Araújo, Presidente do Conselho Municipal de Quelimane

Manuel de Araújo, Presidente do Conselho Municipal de Quelimane

No nosso artigo da semana passada pedíamos acção enérgica e flexibilidade ao novo governo no que se refere as calamidades naturais que afectavam a província, Pedíamos inter alia que o Novo Primeiro Ministro visitasse a zona para in-loco verificar as condições no terreno o que lhe permitiria ajuizar os desafios e o tomar de posições face a enormidade da catástrofe. Pedimos muito mais mas como se sabe em técnicas de negociação, os pontos de partida devem ser ou estar um pouco do esperado por forma a que se consiga o que se quer.

Do ponto de vista de resposta institucional, ficamos bastante sensibilizados quando nos demos conta que o Primeiro Ministro não esperou por protocolos para por mãos no terreno. Arregaçou as mangas lá veio a Quelimane, mesmo sabendo que a província ainda não tinha Governador e mais, mesmo sabendo que o Governador e a Ministra da Administração Estatal e função Publica chegariam no mesmo dia, o Primeiro Ministro, de forma pragmática “arranjou” formas de cá vir, antecipando-se em hora e meia a chegada do Governador. Esta actitude é por nos saudada, pois como afirmáramos no artigo anterior quando estão em causa vidas, as regras protocolares cedem a sua primazia para dar lugar ao pragmatismo. Foi por isso que fizemos vista grossa a grave falha protocolar da Secretaria Permanente da Província da Zambezia, que no vazio do poder, entre a exoneração do Governador Verissimo e a tomada de posse de Razak, não soube coordenar pragmatismo e protocolo, tendo-se “esquecido” de informar as autoridades competentes para a cerimonia de recepção do Primeiro Ministro na sua primeira visita oficial depois da tomada de posse a uma província. Uma omissão protocolar grave do lado da Secretaria Permanente se tivermos em conta não só que (1) Carlos Agostinho do Rosário desempenhava ate a pouco a função de Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário de Moçambique em vários países asiáticos, onde o protocolo é seguido a risca, como também se tivermos em conta o discurso do Chefe de Estado na Cerimonia de Tomada de Posse, onde apelava a inclusão . E que esta omissão protocolar poderia ter manchado a primeira visita do Primeiro Ministro e usada como mais uma prova da dissonância entre o discurso de Nyusi e a Prática. Felizmente a simplicidade e informalidade de Carlos Agostinho do Rosário resolveu o problema, mas cá fica o aviso a navegação: funcionários não preparados podem manchar a imagem dos superiores hierárquicos pois em politica o que conta são as percepções.

Como pedíramos no nosso artigo, ficamos sensibilizados e quiçá satisfeitos com o numero de ministros que se deslocaram a Zambezia, para in-loco verificar a situação no terreno, nomeadamente a (1) Ministra da Administração Estatal e Função Publica, a (2) Ministra da Saúde, (3) o Ministro das Obras Publicas e Gestão Hídrica. A grande omissão foi a ausência dos ministros da indústria e Comercio e da Acção Social, Gênero que deveriam cá ter estado para solidarizar-se com os empresários da região e com eles discutir ideias praticas para minimizar o impacto da crise na actividade econômica como a possível redução do preço do combustível, e no caso da ministra do Gênero para verificar o impacto da crise nas crianças, mulheres, idosos. E que senhora ministra, se não sabia fique sabendo que a província da Zambezia e aquela que tem os maiores índices de mortalidade infantil, materno-infantil e juvenil-infantil no pais. Ou seja é aquela província onde mais se morre (tirando Cabo Delgado e Manica) e sendo a segunda província mais populosa do pais, esta crise se não for bem gerida poderá afectar a performance de Moçambique nos Millennium Development Goals.
Satisfez-nos a visita de Carlos Agostinho de Rosário que no seu pragmatismo e simplicidade característica “conseguiu inventar” tempo para auscultar uma parte importante da “Opinião Publica Zambeziana” sobre aspectos sensíveis da Zambezia, que ele bem conhece e do pais. Alias aqui na Zambezia nós cantamos sempre, “os nossos Verdes Campos”, o Hino do saudoso Conjunto Primeiro de Maio que: “É preciso auscultar, aquele que vai, realizar. Mas afinal, é o próprio povo, quem vai realizar, é o próprio povo, que ai se encontra o segredo do povo”. O único senão, foi o de não ter aproveitado a ocasião para cumprimentar o Líder da Oposição, que se encontrava na cidade de Quelimane. Esta ousadia, quebraria o gelo, criando condições favoráveis para as negociações em curso. Em politica, não basta sabedoria, simplicidade, é necessária alguma astucia e coragem para fazer coisas que não estão no “Menu”. Para já vão três pontos para Carlos Agostinho do Rosário. Somados os pontos aguardamos por uma acção enérgica porque a espinha dorsal da Zambezia esta quebrada.

Aquilo que a guerra não conseguiu fazer em 1986, 87, 88 a natureza responsabilizou-se de o fazer -dividir o pais pela Zambezia com os impactos já a vista. Se os últimos 39 anos transformaram a Zambezia da maior economia provincial do pais para a mais empobrecida, as chuvas conseguiram aquilo que ate aqui nenhum exercito conseguira fazer, esquartejar a economia da Zambezia! Não se pode sair da Zona Sul para a zona centro da Zambezia, nem da zona centro para a zona norte (com cinco cortes na EN1 (dois cortes no rio Licungo, um corte no Rio Namilate perto da famigerada zona de Morrotone, outro no Rio Nivo e assim por diante entre Mocuba e Nampevo! Não se pode sair do Ilê a Gurué e nem de Milange a Gurué. Não se pode sair de Gurué a Cuamba. E muito menos de Quelimane a Maganja ou Macuse. Não se pode sair de Mopeia a Luabo! A economia da Zambezia se já estava de joelhos, agora esta em coma. E para ressuscita-la precisamos de UM Plano Marshall (foi o plano que os EUA implementarão para a recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial) para a recuperação da Economia Zambezia. Alias sendo a província que mais sofreu pelos efeitos da Guerra dos 16 anos, esse Plano Marshall esta no mínimo atrasado 16 anos. E para começar uma vez que o preço do barril do petróleo baixou de mais de cem dólares para menos de cinquenta, sugiro uma redução no preço do combustível senão para o pais inteiro, pelo menos numa fase experimental para as zonas centro e Norte do país que estão ha três semanas as escuras.

Professor Doutor, Manuel de Araújo Presidente do Conselho Municipal de Quelimane

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