Quelimane1

Conhecida por inúmeras bicicletas nas vias públicas e por ter o maior carnaval do país, e não só, Quelimane pretende mudar a imagem de uma cidade que vive ao deus-dará. Um pouco por todo lado da urbe, é possível ver obras de construção e de reabilitação de alguns espaços a um ritmo deveras acelerado. Mas, na verdade, ainda há muito por ser feito no tocante a estradas, saneamento do meio e ordenamento territorial na capital provincial da Zambézia.

A cidade, que tem como uma das principais actividades económicas o porto, está inundada de bicicletas que garantem o transporte urbano de passageiros a nível da autarquia, facto que coloca a edilidade num desafio sem precedentes. São aproximadamente 18.840 bicicletas contra 1.630 viaturas.

Há sensivelmente dois anos, as autoridades municipais têm vindo a desdobrar-se para acomodar o crescente número daquele meio de locomoção e fazer face à falta de chapas. De acordo com o edil de Quelimane, Manuel de Araújo, foi necessário definir prioridades para o mandato prestes a terminar. “Eu tinha 18 meses e não podia resolver tudo, razão pela qual tinha que escolher as minhas prioridades. A primeira era fazer com que o munícipe se sentisse parte deste processo, que voltasse a sonhar e a segunda era a questão dos buracos”, explica e acrescenta: “Mesmo se eu resolvesse o problemas de transporte trazendo 100 autocarros, com os buracos não seria possível manter os automóveis por muito tempo, nem os privados teriam aceitado investir nessa área”.

A estratégia do Conselho Municipal consistiu na melhoria das vias de acesso. Quase 90 porcento dos buracos que caracterizavam a cidade de Quelimane foram tapados. “Quando nós tivermos as estradas a 100 porcento, não será necessário o município trazer taxistas. As pessoas é que vão ver que ali há uma oportunidade de negócio. A tarefa do Estado é criar condições para que o sector privado possa funcionar”, diz Manuel de Araújo.

Uma nova Quelimane

Há três anos, a perspectiva de desenvolvimento social e económico parecia eternamente adiada e a vida mantinha-se estática. Porém, nos últimos dias, a cidade de Quelimane tem vindo a ganhar uma nova imagem. Um pouco por todo o lado assiste-se à construção e reabilitação de estradas e alguns espaços, que se vão transformando em locais de serviços, habitação e lazer, dando um novo fôlego à urbe. Na verdade, desponta uma nova autarquia. “Nós vamos ter uma nova Quelimane, uma cidade rejuvenescida. Queremos construir uma nova imagem, ao modo de Singapura. Uma urbe auto-suficiente, moderna, limpa e com bom ambiente de negócios para os investidores”, diz Manuel de Araújo.

Porém, algumas estradas esburacadas e de terra vermelha mostram que ainda há muito por ser feito. Além disso, a autarquia ainda reúne todos os defeitos que caracterizam os principais centros urbanos do país, desde a ineficiência na gestão de resíduos sólidos, passando pela degradação dos edifícios até ao acesso limitado a água potável. Mas alguns munícipes preferem acreditar que, com o tempo, a situação vai mudar. Leonardo Gabriel, residente em Quelimane há mais de 30 anos, é da opinião de que a sua terra natal registou algumas mudanças. “Temos visto obras de abertura de valas de drenagem e pavimentação das ruas, o que mostra que existe algum interesse em proporcionar bem-estar aos munícipes. Por exemplo, nós hoje temos o Sunlight (local de diversão) com “pula-pulas”, o mais moderno de Moçambique, e ainda não vi nada igual em Maputo”, comenta.