Assertivo, eloquente e pragmático, como é de seu timbre, o presidente do município de Quelimane, radicalizando o debate sobre a inclusão até ao extremo da sua dimensão ontológica, questionou o próprio conceito identitário de “moçambicano” para elaborar sobre a inclusão que se realiza na unidade nacional.

“Quem somos nós, os moçambicanos? Porque este animal formado em Moçambique foi formado há menos de 40 anos. Se não percebermos os desafios do processo de construção dessa identidade, acabaremos por atropelar os vários elementos constitutivos dessa entidade. Somos uma ‘nação una e indivisível’ – esse é um desejo, não é o que nós somos, ainda não chegamos lá. Assumir como ponto de partida o que devia ser o ponto de chegada traz grandes dissabores”, alertou Araújo.

A coerência com o enunciado “nação una e indivisível” obriga a que “tenhamos de aceitar o outro… Se não o fizermos, teremos sempre cidadãos de primeira e de segunda, e então o papel que cada cidadão tem na sociedade será diferente e, consequentemente, conflituoso”. Uma conflitualidade latente que, dada a violência original do próprio país, que se prolongou por 16 anos – e perdura ainda – traz riscos acrescidos para a própria “unidade nacional” e a paz. “Temos uma democracia fruto de luta armada. Portanto, existe uma cultura de recorrer à violência enquanto meio para se alcançar um bem maior”, afirmou Araújo.

Por outro lado, a tentativa de recusar a diferença resulta numa assimetria entre os cidadãos mesmo ao nível das oportunidades que se oferecem a cada qual. “Se não aceito que o outro é igual a mim, então não criarei oportunidades para que o outro possa aceder à Educação, à Saúde e às oportunidades de negócio, porque não o vejo como cidadão”, referiu Araújo, concluindo com um reparo, que foi também um apelo: “Temos de respeitar a diferença. É o primeiro passo. Aliás,”, disse, “temos de ir além e fazer a promoção da diferença como um bem, uma virtude, para que possamos perceber que o nosso país é constituído por vários mosaicos, com sonhos e perspectivas diferentes sobre a forma de como construi-lo”.

Araújo não se deteve na sanha iconoclasta. “Temos de começar a desconstruir alguns conceitos – como o dogma de que a agricultura deve ser a base do desenvolvimento. Estamos numa economia de mercado, temos de olhar para os três sectores e vermos as nossas vantagens comparativas e, com base nisso, definirmos as prioridades dependendo daquilo que o mercado internacional quer, aproveitando nichos”, disse, para rematar: “Paramos no tempo – em 1975, dizíamos que a agricultura devia ser uma coisa que continuamos a dizer hoje”.

Ler mais: http://opais.sapo.mz/…/38685-oradores-do-mozefo-apelam-a-tr…

Comments (1)

  • Joao

    Senhor Presidente, gostei de ouvir te na sua descertação no forum mozefo , mas uma coisa nao entende será que o senhor presidente Manuel de Araujo sugere k a Agricultura passe para segundo plano? Ora para mim nao porque na verdade a agricultura é a base de desenvolvimento de nos povo e se recuar no tempo vai ver que Quelimane ou seja Zambezia o seu desenvolvimento sempre foi com base na agricultura bom eu sei ate que estou me dirigir para Doutor Manuel de Araujo e muito bem sabe disso . A questao é a implementação das politicas o que falhou foi o estado querer substituir o cidado machambas estatais e cooperativas pois a expriencia Sovietico nao foi bem acolhido pelo povo. Por outro lado o governo deixou de colocar os factores de produção agricola deixou de ser prioridade o tractor e alfaias agricolas, as sementes e adubos e com agravate de a Renamo ter distruido muita maquinaria agricola.
    Quando nos falamos de 40 anos da Independencia e dissemos nada foi feito é preciso que lembremos de substrair os 16 anos de conflito armado pois sabemos que nao se fez agricultura o povo era nomada nao praticava actividades agricola, as grandes companhias deixaram de produzir falo de Madal,Borror, Emocha de Gurué e Nowela deixou de Produzir.
    Para mim a agricultura é sim base de desenvolvimento pois dela comemos e almentamos as Industria é ver que Gurué e Luabo desenvolveram-se atravez de agricutura de Cha e cana que por sua vez pariram fabricas
    Dr vamos sim apostar na agricultura com politicas claras Agricultura comercial , vamos investir em Maquinas e alfaias agricolas e nao enchada de cabo curto vai ver que vala pena.

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