Desenvolver! Mas por que desenvolver? 

 

Uma carta contendo as inspirações de um Munícipe pouco informado

 

Caro presidente, antes de muito mais desejo lhe imenso uma louvável saúde. Pela minha parte sem sobressaltos, exceptuando os normais e necessários. Já há muito que prentendia compartilhar os meus sentimentos e razoes consigo mas perdia-me o tempo. acho que sendo um munípe da urbe que bem dirige, me vejo sempre na necessidade de contribuir com algo. A demonstraçao do tipo de sociedade que sonho e quero tornou-se a melhor forma de contribuir. É que os seres humanos, estes nossos seres humanos, reclamam, desde o tempo que se descobriram como seres humanos, a humanidade que há neles. Aliás, nem descobriram mas, descobrem cada vez mais a necessidade de algo de muito fundamental na modernidade hoje desejada: a dignidade humana. O que vai aqui escrito não é um pedido de qualquer coisa e nem uma exaltação genuína de uma posição argumentativa intelectual que emerge de uma realidade empírica e que se aproxima ao meu intelecto. O que vai aqui escrito é, isso sim, uma manifestação da cultura de cidadania que um modesto munícipe, de uma cidade próspera como a nossa, exige-se a fazer. Munícipe que, para ele, desenvolver — se é que há algo com esse nome — significa não muito que o respeito e o acto de respeitar a dignidade humana. O que vai aqui escrito é somente uma necessidade cívica do meu intelecto. Dignidade humana seria não muito que garantir ao cidadão, como o munícipe da nossa (bela) cidade, a satisfação de, se não todas, pelo menos algumas das necessidades propostas na pirâmide das necessidades de Maslow: Auto-estima, segurança, auto-realização, as necessidades sociais e fisiológicas. Assim mesmo, sem necessidade rigorosa de ordenamento em escalas.

Assim, apesar de não estar presente na nossa cidade há pelo menos 1 ano e poucos e acompanhar, com os olhos, o que me contam, é-me suficiente para perceber, pelo menos aparentemente, a tendência visível de mudanças na nossa cidade. Mas pouco vale mudar as coisas e não procurar-se mudar as pessoas. E não procurar-se mudar a mentalidade dos munícipes no concreto. Mudar a mentalidade dos outros significa mudar a mentalidade com os outros. Como munícipe e como cidadão preocupado em primeiro lugar com o bem-estar do co-cidadão moçambicano proponho, assim, como se fosse uma medida urgente e concomitante a mudança assistida, o aumento, demasiado é claro, de palestras abrangentes e excessivamente abertas. Estas palestras partiriam desde a exaltação da cidadania moçambicana até a necessidade de se construir um município próspero, higiénico e desejado construtivamente. Aí incluído a exaltação da unidade nacional tanto propalada pelo presidente da República, a necessidade de se pagar impostos, a necessidade de limpeza e a de não sujar, a necessidade de educação, de participação e a de empreendedorismo.

Estas palestras funcionariam como um suporte político e como, isto digo eu, uma espécie de redutoras de possível politização da pobreza na nossa bela cidade. Endemia capaz de deixar os políticos susceptíveis de perder a confiança e o carisma que tanto suaram para conquistar em tempos de campanhas eleitorais. Como é, com todo respeito que tenho na sua pessoa e profissão, o seu caso. Estas palestras constituiriam uma maneira viável e necessária para mudar também a mentalidade dos munícipes. Porque do que vale construir-se drenagens necessárias (estou pouco me interessado aqui pela custódia do empreendimento) mas ser entupida pelos beneficiários pouco tempo depois? Do que vale abrir espaços de lazer, ao ar livre, como uma espécie de calçadão (divertimento moda na cidade capital de Maputo), a beira do mar, mas se assistir uma negligência generalizada dos tambores de lixo e optar-se em fazer do mar a nossa lixeira? Do que vale construir infra-estruturas desejadas mas optar sempre em “esmolas” (sem ofensas no termo) exteriores? E, para resumir tudo de uma vez, do que vale mudarmos a casa, pintarmos, reestruturarmo-la mas não se mudar a relação que o dono mantem com a casa e com as outras pessoas que compartilham a mesma casa? Eu, pessoalmente, respondo: nada vale! Se por acidente valer, valerá por pouco tempo pois, as estruturas mentais são frágeis para garantir uma “cultura cidadanica”.

O nosso município está a ser, sinto (e quase vejo), um palco sensacional de manifestação da liberdade. Um destino desejado! Uma vontade de se viver. Tudo isso nos deixa, como munícipes daquela urbe, descansados. Livres! Mas incapazes de mudar a mentalidade a ponto de se ver, nestes todos atributos, a necessidade de desenvolver uma cultura de cidadania viável: pagar impostos, recolher lixo, depositar o lixo no lugar propício, participar na governação, exigir, conhecer os seus direitos e deveres… Ser cidadão! É isso que nos faz nós, é isso que nos faz seres humanos modernos, é isso que nos faz ver a necessidade de exigir algo demasiadamente necessário na modernidade: a DIGNIDADE HUMANA.

There are no comments yet.

Deixar uma resposta

%d bloggers like this: